terça-feira, 24 de junho de 2008

É S ( f ) ogra!

Ainda não entendi porque todas as piadas de sogra são feitas para homens. Ou pelo menos as mais conhecidas. Até onde eu sei, ou melhor, desde quando fiquei noiva, tenho todos os motivos do mundo para acreditar que não há ser desumano pior do que aquela que colocou seu futuro marido no mundo. Não, eu não sou a Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída. Longe disso. Estou muito mais para Marcela C., 28 anos, batalhadora, inteligente, independente e bem sucedida. Quer dizer, bem sucedida já não sei, pois nessa batalha louca contra a possessividade não me animo nem um pouco em lutar pela vitória.

Já dei sorrisos, presentes, flores, distribuí simpatia. Já convidei para almoçar, jantar, conversar, comemorar aniversário. Já mostrei todas as minhas faces, forças e fraquezas. Já pedi ajuda, já pedi respeito e compreensão. Mas nem um “não” eu recebi. Acho que daria trabalho demais. Do lado de lá, só recebo mesmo o frio do pólo norte. E juro que andaria até lá para entender as razões de sentimentos tão feios. Sentimentos que colocam à mostra o que há de pior em mim, afinal, não há anjo que suporte permanecer tempo demais adormecido.

Faltam 11 dias. A mistura de sentimentos é inexplicável. Ansiedade, nervosismo, felicidade, medo, expectativa, frio na barriga e raiva. Raiva? Peraí, volta a fita. Esse não era para figurar no meu liquidificador de emoções. Pois é, mas ele está aí. De repente junta-se tudo, a ausência em todos os aniversários, a falta de uma lembrancinha se quer durante os Natais, a desculpa esfarrapada para não comparecer ao chá de panela e a eterna espera pela pergunta “Você precisa de alguma ajuda para o casamento?” que nunca veio.

Já gritei, já berrei, agora era hora de escrever. Pronto, esse fantasma já não me pertence mais. Exorcizei. Vou chamar Buda, Dalai Lama, Papai Papai Noel e até o Coelhinho da Páscoa. Mas prometo não parar de sorrir. Descobri o meu maior escudo. E nesse aqui, não tem tempo ruim. Muito menos frio!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O poder de um zíper

Gorda ou magra, todas já passamos por este “aperto”. Somos pós-graduadas na ginástica do jeans recém-lavado: senta, agacha, dá uma reboladinha, puxa pra cima, prende o ar, levanta e ufa! Entrou! E depois, tudo é festa, estamos lindas e maravilhosas e não há celulite, estrias ou gordurinhas extras que estrague nosso bom humor.

A coisa só muda de figura quando o assunto em questão é o vestido de noiva. Assim como o primeiro sutiã, a primeira prova a gente nunca esquece. Ela vem cercada de ansiedade. E a minha não poderia ser diferente. O calendário já não esconde mais que restam poucas semanas para o casamento e há meses esperava por ela.

Difícil disfarçar o nervosismo. Melhor abrir logo o jogo e deixar bem claro que a essa altura do campeonato você já virou uma manteiga derretida. Foi o que fiz. E me aconselharam uma música para relaxar. Agradeci, afinal seria bom ouvir o barulhinho das águas e esquecer todas as dúvidas que ainda me cercam sobre os porta-guardanapos. Só não sabia que a tal “musiquinha” era nada menos que a marcha nupcial! “Isso é tratamento de choque?”, pensei sozinha.

Vesti meus sapatinhos de cristal, mal me equilibrando nas alturas daquele salto, e subi no palquinho, já preparado com a grande estrela da noite. Respirei fundo e a costureira foi aos poucos me ajudando a colocá-lo. “Não chora, não chora”, fiquei repetindo silenciosamente para mim mesma. De repente, TCHUM! Como num toque de mágica, esqueci tudo, esqueci todos, lágrimas para que te quero. Eu só queria respirar! Meu pulmão estava esmigalhado, minhas costelinhas apertadas. Mal conseguia levantar os braços. Só pensava em como iria conseguir dançar YMCA e abraçar as pessoas mais altas que eu.

“Isso é normal, mas se você quiser eu abro 1cm”, disse a costureira, como se aquilo pudesse aliviar muita coisa. Logo em seguida me mandou descer do palquinho e caminhar. Caminhar, caminhar como? Noiva caminha? (risos) Meu pobre pezinho 34, sustentando 1,68m sob um salto 7, mais anágua, vestido e muita tensão por não conseguir respirar, mal conseguiam se mover. Mais vamos lá! Puxei a barra do vestido e ouvi “Noiva que é noiva não puxa o vestido”. Oh meu Deus, será que eu nasci mesmo para ser noiva? Anda para lá, anda para cá, mais rápido, mais devagar, vira, sobe, abaixa, levanta.....Ai que saudades da ginástica do jeans!

Claro que depois de uma hora já estava mais acostumada com aquele traje novo em minha vida, mas mesmo assim rezando pela próxima prova, onde teria ganho meu 1cm de glória. Postura, levanta o queixo, o ossinho do cotovelo encostado no ossinho da bacia, buquê não é microfone. Mais alguma coisa que eu precise saber na hora de entrar na igreja? Claro! Sorria, olhe para o Felipe no altar, caminhe suavemente, pense no nome de todas as suas amigas que estão escritos na barra do vestido....