sexta-feira, 16 de maio de 2008

Não sei não

Nem florais, nem cinco mil bolinhas de homeopatia por dia. Nada mais tem adiantado, porque quando dói no coração, não tem jeito não. E o meu coração, anda precisando tirar férias, dar uma volta por aí. É impressionante a proporção que as coisas tomam quando estamos sensíveis. Protegida dentro da minha própria fortaleza, poucas coisas foram capazes de me tirar o equilíbrio. Encarei todos os desafios possíveis e imagináveis, mas quando o assunto era amor, ah, aí a casa caía.

Lembrando que eu sou capaz de chorar na mesma proporção que eu sou capaz de falar por horas e horas, já devo ter enchido de lágrimas um espaço referente ao tamanho da Lagoa Rodrigo de Freitas. O que era visível, não chegava nem perto do que acontecia dentro de mim. Ao contrário do que acontece agora. Não consigo mais disfarçar nada, um olhar, uma decepção, muito menos conter qualquer alegria.

Sim, eu estou muito feliz em realizar este sonho. Sim, há 10 meses eu só falo de casamento. Tenho chorado frequentemente, ou porque não consigo segurar a onda na hora de experimentar o véu, ou porque alguém fala comigo de uma forma mais rude. Coisas boas e ruins. Mas quando o assunto é indiferença, lá vem a rasteira. Descobri que não sei lidar com ela. Como alguém pode não estar nem aí para o dia mais importante da minha vida? E se esse alguém for muito próximo?

Ainda não descobri a receita. Só sei de três coisas. Eu não sou o centro das atenções. Ninguém é obrigado a entender e sentir o casamento como eu. Esse sonho é exclusivamente meu. E se mesmo sabendo isso, ainda magoar? Passiflorine, suco de maracujá? Não sei, você sabe?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Os olhinhos de Deus

Eles são um presente, eles foram presentes. A vida toda. Com um abraço maior que o mundo e um amor tão grande que parece não caber, Vovô e Vovó serão para sempre Vovô e Vovó. Mais que a vontade doida de casar na igreja, poder contar com eles nesse momento tão especial era uma das minhas maiores preocupações. Afinal, qual seria a razão de fazer promessas diante de Deus se eles não estivessem por lá? Que graça teria fazer uma festa enorme se eles não estivessem mesmo que no cantinho da pista remexendo os quadris? O que explicaria a minha presença ali, as minhas vitórias, a pessoa que eu sou, se não fossem eles?

Primeira neta, primeira menina, toda rosa, mimada e manhosa, soube exatamente como roubar eles para mim. Pois é, vieram muitos primos e irmãos, mas de nada adiantou. Meu cargo de preferida já estava devidamente ocupado. Cresci com papai e mamãe, casados por 25 anos, mas cresci mesmo, com Vovô paterno e Vovó materna. Foram eles que me roubaram primeiro! Ela, gordinha, branquinha, italiana, me passou sem tirar nem pôr esse gênio de mulher forte e dominante. Ele, branquinho de sardinhas, com seus olhinhos claros, me passou o lado leve da vida, tentando provar por A + B que problemas não existem.

Foram milhões de “arroz, feijão, bife e batata frita” feitos em 10 minutos para matar a minha vontade, foram trilhões de bolinhos de banana feitos na hora iguaizinhos aos da Dona Benta, foram muitos passeios à praia nas antigas jardineiras e horas e horas catando tatuís. Foram presentes, passeios, conselhos, mesadas, dinheiro escondido para comprar o lanche que queria no colégio. Foram palavras doces nos momentos em que tudo parecia estar errado. Foram brigas, conciliações e, sobretudo, apoio.

Por eles, e para eles, dou de presente minha entrada na Nossa Senhora da Paz. Dou para eles o primeiro sorriso quando as portas se abrirem, a certeza de que serão seus olhinhos que estarei procurando no caminho do altar. Procurando como uma forma de pedir sua benção. A benção dos olhinhos de Deus. Gratidão.