sexta-feira, 25 de abril de 2008

A monstra e (cadê o noivo?)


Calma, eu não estou ficando louca, quer dizer, estou quase lá, mas ainda falta um pouco. Se você parar para pensar, a foto ao lado encaixa perfeitamente no título que sugeri. É claro, é óbvio e faz todo o sentido do mundo, que se não fossem eles, não estaríamos aqui brincando de princesas. Se não fossem eles, o tão sonhado pedido de casamento jamais teria se concretizado. Se não fossem eles, e sua fantástica paciência, essa relação não chegaria intacta até o dia do altar. Ah, e quanta paciência!

Mas verdade seja dita: noivos são coadjuvantes. E seria hipocrisia de nossa parte não concordar com isso. Tirando o começo de tudo com o “Você quer casar comigo?” e começo de uma nova história com o “Sim, eu te aceito como minha mulher”, nós nos encarregamos de todo o resto. Não daria para dividir com outra pessoa todos os olhares, toda a atenção, todas as crises de ansiedade, todos nossos ataques de histerismo. Nós somos espaçosas, chatas, controladoras, dominantes, impulsivas.

Não, nós não somos um monstro. Somos noivas! E esse anel no dedo direito pesa, pesa uma organização de uma festa para mais de 200 pessoas, pesa mais de cem orçamentos feitos, pesa milhares de conversas e negociações, pesa o trabalho, o chefe, as cobranças, e claro, no meio disso, o namoro! Somos noivas de uma geração que ainda não definiu bem os papéis entre homem e mulher, somos super-mulheres, as novas amélias.

A gente se preocupa com tudo, com todos, e não permitimos o pobre noivo de opinar em quase nada. Na verdade, ele pode até opinar, mas a decisão final sempre ficará por nossa conta. E por isso eles são tão importantes. Eles assumem o papel mais difícil de todos e se você é filhinha de papai, sabe do que eu estou falando. Assumir esta responsabilidade não é fácil. E mesmo quando são desastrados e não conseguem encher o pneu da bicicleta nem trocar uma lâmpada com tanta agilidade quanto nosso maior ídolo, eles são fofos.

Fofos por nos agüentar, por fazer nossas vontades, por concordar que casemos até de rosa se isso nos fizer feliz. Não se importam com seus 5 segundos de fama na cerimônia, com as medidas do terno tiradas a apenas 15 dias do casamento, com 90% das fotos serem destinadas a nós. Eles só se preocupam em nos fazer feliz. Sabem que seu papel de coadjuvante é essencial nesta história. E em como nos sentimos em paz, de sabermos, que após a confusão do dia-a-dia, não há coisa melhor do que voltar para casa e deitar no seu peito, sempre aberto para nos receber. Eles são uma santidade!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Tudo muda o tempo todo

Desde que comecei a planejar o casamento sempre tive uma coisa em mente: a hora de economizar será com os convites. Conversa vem, conversa vai com algumas amigas, ouvi dizer, muito sem ter certeza de nada, que não gastaria mais que trezentos reais com os convites, que era baratinho, e que também não valia a pena investir. Boba que sou, fui isca fácil, fácil. Não posso dizer que caí em conversa de malandro, mas caí na conversa de quem teve o privilégio de ter o casamento pago pelos pais e não faz a menor idéia do que é quase enlouquecer com uma planilha do Excel do casamento.

Cheguei à loja cheia de certezas, como se já não estivesse calejada de que certeza de noiva não dura nem 30 segundos (risos). Escolhi rapidamente três modelos, um mais tradicional, um modernoso e outro mais simples, sem muitas firulas. A vendedora me passou o preço e pasmen! O cento mais barato não saía por menos de trezentos reais. Mas como assim? É mentira? Diz que você está mentindo? Eu preciso de dois centos, de onde vou tirar da festa para complementar os convites? E isso, estávamos falando do mais simples, sem naaaada de mais. Pensei, pensei, pensei, e decidi fazer o vagabundinho (o coitado ganhou esse apelido), afinal, todo mundo joga convite no lixo, é o tipo do dinheiro desperdiçado.

Ahhhhh, mas é muito fácil falar isso quando não é o seu casamento. Pensei, pensei, pensei de novo, e pedi para a vendedora anotar tudo em um papel que eu iria pensar mais um pouco. Cheguei em casa aos prantos, vim chorando da Tijuca a Botafogo, de óculos escuros no metrô, para ninguém me notar. Liguei para o meu pai e para o Felipe e a frase foi a mesma: “Mas você não sempre disse que não queria gastar um real com convites?”. Pois é, né, eu disse, e agora ainda tinha que ouvir todo mundo me lembrando sobre isso. Mas mudei de idéia, noiva muda de idéia, o tempo todo, todo o tempo. Não te contaram isso?

Fiquei dois meses na crise do convite, e agora, olhando para trás, foi uma crise bem patética, bem coisa de noiva mesmo. O mundo acabando lá fora e eu sem dormir por causa de um monte de papel. Decidi ver os convites de novo, desta vez na minha casa. Veio uma vendedora fofa, numa sexta- feira à noite, a única hora que a jornalista aqui não trabalha. E quem disse que todo mundo joga convite de casamento fora? Doente que sou por entrar na igreja desde pequena, tinha todos os convites das minhas amigas casadas, mais de dez, tudo organizadinho na gaveta. Peguei todos e joguei em cima da mesa. “Olha, elas não gastaram mais de trezentos reais com isso aí”.

“Mentira!”, disse a vendedora, e foi me explicando, tim tim por tim tim, o peso dos papéis, o tipo dos papéis, a tinta, a fonte, o holograma, relevo seco, 180 gramas, 220 gramas, com envelope, sem envelope, colorido, com desenho....Ahhhh, tá bom, tá bom, elas devem ter mentido para mim. Vou fazer o que eu quero, do jeito que eu quero, porque alguma neurótica há de guardar o meu convite também. E sem esquecer aquela máxima, né, meninas? A GENTE SÓ SE CASA UMA VEZ! Depois eu me viro em dinheiro, dou cambalhota, toco violão na rua, sei lá, sei lá.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Muita calma nessa hora!

Tirando os pesadelos que fazem parte da vida de toda santa noiva, nada nessa vida me abalava quando o assunto era casamento. Quer dizer, nada me abalava até semana passada! Estava tudo correndo bem, profissionais bons e dedicados contratados, surpresas agradáveis como amiga vindo de outro país especialmente para a festa e noite de núpcias de presente. Quer coisa melhor? Eu não queria não, estava tudo do jeito planejado e acalmando esse meu jeito controlador de ser.

Só que na contagem regressiva e a pouco menos de 90 dias do casamento, decidi marcar o teste de cabelo e maquiagem, a pedido da profissional que vai fazer os noivinhos do meu bolo, e precisava porque precisava saber logo como estaria o meu cabelo. Ó céus, como estaria o meu cabelo? Não fazia a menor idéia, não estava nem um pouco preocupada com isso. Contratei em novembro do ano passado uma pessoa recomendada na Casar é Fácil, indicada por uma produtora do O Globo e que também trabalha para a Vogue.

Se a vendedora da MAC consegue me deixar maravilhosa toda vez que vou comprar um rímel por lá, e ela passa rapidamente uma base e uma sombra e eu já me sinto linda, qual o mistério, né? Afinal, apesar de me arrumar no dia-a-dia, maquiagem não é o tipo da coisa que toma muito meu tempo. Qualquer coisinha sobre as minhas olheiras cansadas, especialmente após um ano e meio de trabalhos extras de madrugada para arcar com o casamento, já fazem milagre.

Mas não fizeram! Primeiro, porque o profissional não quis ver as fotos que eu tinha para mostrar com tudo o que eu queria e o que eu não queria. Segundo, porque, na minha opinião, não entendeu que você pode ser o Albert Einstein da maquiagem, mas se não souber lidar com uma noiva, e especialmente entender a importância daquele único dia, sua maquiagem será capa da Cosmopolitan, mas jamais do meu álbum de casamento.

Quando abri os olhos, parecia que as dores do mundo tinham caído sobre mim. Odiei meu cabelo, a maquiagem, me senti dez anos mais velha, nada, nada, nada, como eu poderia estar no dia mais importante da minha vida. Tentei explicar a ele, e, acredito, do fundo do coração, que um mendigo poderia ter percebido a decepção em meu rosto. Enfim, foram refeitas adaptações em cima de adaptações e mais doses e doses de laquê, que viram junto com o “Não se preocupe, no dia do seu casamento, vou fazer isso e isso diferente, puxar ali, dar um jeito aqui”. No dia do meu casamento? Para quem não sabe, os testes são pagos, e não são nada baratos. Não quero esperar até 5 de julho para saber como ficarei, desembolsei uma grana para saber agora. Entendeu? Ele não!

Dormi mal os três dias seguintes, estava abatida, meio perdida. A Esperanza, minha cerimonialista que me adotou, me pegou no colo, disse que se tivesse tudo perfeito não teria graça (ainda não concordo muito com essa parte rs) e resolveu o meu problema. Fiz um novo teste com a equipe da Lu Batista, foram mais de três horas no salão, muitas explicações, muita atenção, tudo voltado para mim. E eu, agora sim, me sentindo uma princesa, linda, linda, linda, como toda noiva deve ser.

“Vou sair maquiada, aliás, vou dormir maquiada hoje”, eu disse. “Nãoooooooooooooooooooo, o Felipe não pode te ver assim!”, gritaram a própria Lu, a Márcia, responsável pelo meu cabelo e maquiagem, e outra funcionária do Studio. “Verdade, né? Dá azar. Pode tirar, mas deixa só um pouquinho, tá?”. E a Márcia deixou. Me deixou linda!